Vou te contar uma coisa que pode soar estranha vindo de um homem cujo trabalho envolve muitos momentos bem íntimos: alguns dos melhores primeiros encontros que eu já tive não tiveram mesa, cardápio nem cadeira. Um foi um passeio por uma feira que virou uma tarde inteira. Outro foi uma partida horrível de boliche em que rimos tanto que esquecemos de marcar os pontos.
O jantar é o primeiro encontro padrão porque é fácil de sugerir. Mas fácil de sugerir não é a mesma coisa que bom. Se você procura ideias de primeiro encontro que não sejam jantar, esta coluna te dá quinze, explica por que funcionam e te ajuda a escolher a certa para a mulher que você vai encontrar.
O problema do encontro no jantar
O jantar não é o vilão. Num terceiro ou quinto encontro, um bom jantar pode ser ótimo. Mas como primeira vez, ele tem três grandes problemas.
É longo e difícil de escapar. Uma refeição leva de noventa minutos a duas horas. Se não houver química, os dois ficam presos, mastigando o silêncio com educação.
É frente a frente. Sentar bem na frente de alguém que você mal conhece cria clima de entrevista. Perguntas, respostas, contato visual sem ter para onde olhar. Essa pressão deixa a maioria das pessoas mais nervosa, não menos.
Faz do dinheiro o assunto. Quem escolhe o restaurante, quanto custa, quem paga. Escrevi uma coluna inteira sobre se o homem deve pagar tudo nos encontros, e a versão curta é que um primeiro encontro não deveria parecer uma transação.
A solução é simples: escolha algo mais curto, mais barato e mais ativo, em que vocês fiquem em pé ou caminhem lado a lado e compartilhem uma experiência.
Por que lado a lado ganha de frente a frente
No set, os momentos em que as pessoas se conectam raramente são os formais. É o caminho até a locação, carregar equipamento juntos, a piada compartilhada quando algo dá errado. Fazer algo lado a lado te dá uma terceira coisa para olhar e comentar, o que tira a pressão da conversa.
Atividades compartilhadas também criam pequenos momentos de brincadeira e de leve emoção: uma tacada que quase entra no minigolfe, um quadro estranho que os dois odeiam, a primeira mordida numa comida de rua muito mais apimentada que o esperado. Esses momentos viram as primeiras piadas internas de vocês. É o começo da química.
Então, quando for planejar um encontro, faça a si mesmo uma pergunta: o que vamos fazer juntos, e não só conversar?
15 ideias de primeiro encontro que não sejam jantar
Fáceis e baratas
- Café e caminhada. O clássico tem motivo. Pegue um café para viagem e caminhe por um lugar agradável: um parque, a beira de um rio, o centro histórico. Fácil de estender, fácil de terminar.
- Uma feira local. Feiras gastronômicas, de antiguidades, de artesanato. Sempre tem algo para apontar, provar e comentar.
- Um mirante ao pôr do sol. Ache um lugar com boa vista, leve uma bebida e acerte o horário da hora dourada. Romântico sem ser pesado.
- Uma livraria e um café. Cada um escolhe um livro que o outro deveria ler. Você aprende mais sobre alguém com isso do que com uma hora de perguntas.
- Sorvete e um passeio. Curto, barato e impossível de levar a sério demais.
Divertidas
- Minigolfe ou boliche. Competitivo de um jeito bobo. A provocação leve surge naturalmente.
- Fliperama ou café de jogos de tabuleiro. Perfeito se um dos dois for tímido, porque o jogo carrega a conversa.
- Karaokê (só se ela gostar). Um quebra-gelo enorme para extrovertidos, um pesadelo para introvertidos. Pergunte antes.
- Um quiz em bar. Formem um time contra desconhecidos. Você vê como ela pensa e como vocês funcionam juntos.
Ativas
- Uma trilha curta. Escolha uma trilha fácil com um bom ponto de chegada. Conte o plano para ela poder se vestir para isso.
- Uma sessão de escalada ou boulder. Muitos ginásios oferecem aulas para iniciantes. Um encorajar o outro gera conexão na hora.
- Bicicleta ou patinetes alugados. Explorem uma parte da cidade que nenhum dos dois conhece bem.
Criativas e culturais
- Um museu ou galeria. Escolha um com algo sobre o que conversar e pergunte a opinião dela sobre tudo. Opiniões são atraentes.
- Uma aula de culinária ou cerâmica. Mãos ocupadas, muitas risadas, e vocês saem com algo que fizeram juntos.
- Um show gratuito, festa de rua ou cinema ao ar livre. Confira a agenda local. O clima faz metade do trabalho por você.

Como escolher o programa certo
Nem toda ideia combina com toda mulher. Antes de sugerir algo, pense no que você já sabe sobre ela.
- A energia dela. Se ela mencionou trilha ou ioga, um encontro ativo cai muito bem. Se ela disse que trabalha muitas horas e adora fins de semana tranquilos, uma livraria ou um mirante podem ser melhores.
- O conforto dela. Num primeiro encontro, escolha um lugar público, de preferência onde ela possa chegar e ir embora com facilidade. Evite qualquer coisa que a deixe longe de casa sem saída.
- O seu orçamento. Você não precisa gastar muito. Um ótimo programa importa mais que um caro.
- O clima e o horário. Tenha um plano B para chuva. Um encontro de dia costuma parecer menos pressão do que um de madrugada.
Quando sugerir, seja específico: “Tem uma feirinha de comida de rua no sábado à tarde. Topa dar uma volta lá comigo umas quatro horas?”. Um plano claro mostra confiança. Depois, escute de verdade a resposta dela. Se ela sugerir outra coisa, seja flexível. Liderar é propor, não insistir.
Fazer o encontro ser bom de verdade
A atividade é o palco. O que você faz nele continua importando. Minha coluna com dicas de primeiro encontro para homens aprofunda isso, mas aqui vai o essencial para um encontro com atividade:
Chegue cedo e tranquilo. Saiba para onde vai, como chegar e mais ou menos o que vão fazer. O estresse de última hora aparece.
Esteja presente. Celular guardado. Repare nas coisas. Comente o que está acontecendo ao redor.
Brinque um pouco. Provoque de leve quando ela errar uma tacada, deixe ela rir de você quando você se perder. Quem sabe rir de si mesmo é magnético.
Pergunte sobre ela, não só sobre a atividade. A atividade é a entrada. Use-a para chegar numa conversa de verdade: “Você sempre gostou de arte ou isso é novo?”.
Fique de olho no conforto dela. Se ela parecer com frio, cansada ou desconfortável, adapte-se. Ofereça sentar, se aquecer, mudar de plano. A atenção aos detalhes é o que ela vai lembrar.
Terminar bem o encontro
Uma das grandes vantagens de um encontro com atividade é que ele tem um fim natural. A partida de boliche acaba, a feira fecha, o sol se põe. Aproveite isso.
Se estiver indo bem, sugira uma segunda parada curta: “Conheço um barzinho bom aqui na esquina, quer tomar uma?”. Essa extensão parece empolgante em vez de pesada, porque ela já se divertiu.
Se estiver mais ou menos, deixe terminar. Agradeça, diga que gostou e se despeça com carinho. Você não precisa forçar nada.
Se houver uma atração mútua clara, você pode demonstrar. Um abraço, um elogio, um “quero te ver de novo” bem claro. E se for tentar um beijo, leia os sinais dela com atenção. Escrevi sobre isso em sinais de que uma mulher está interessada em você. O interesse costuma ser fácil de ler quando você presta atenção, e a hesitação também. Respeite os dois.
Encontros que eu evitaria na primeira vez
Alguns programas que parecem bons, mas costumam funcionar mal como primeiro encontro:
- O cinema. Duas horas no escuro sem conversar. Deixe para depois.
- Baladas barulhentas. Vocês não se ouvem, e o álcool faz trabalho demais.
- A sua casa ou a dela. Pressão demais cedo demais. Um lugar público deixa os dois relaxarem.
- Restaurantes muito caros. Criam expectativas e fazem a noite parecer uma prova.
- Qualquer coisa radical. Paraquedismo pode ser uma ótima história num décimo encontro, não no primeiro.
O que as mulheres da minha indústria me ensinaram sobre encontros
Muitas das mulheres com quem trabalho recebem convites o tempo todo, quase sempre com o mesmo programa previsível: drinks ou jantar. Quando contam sobre encontros que adoraram, quase sempre é algo diferente. Alguém que as levou a um barzinho de jazz minúsculo, a uma aula de pintura, a uma caminhada até um lugar com vista. Os detalhes mudam, mas o tema é o mesmo: ele se esforçou para planejar algo pessoal e divertido.
Esse esforço é o verdadeiro presente. Não o dinheiro, não o lugar, mas a intenção. Diz: eu te ouvi, e quero que a gente se divirta, não só sobreviva a uma entrevista.
Se você quer ler sobre uma mulher que construiu uma carreira inteira criando experiências para mulheres e casais, leia a minha coluna sobre Candida Royalle, a pioneira do pornô para mulheres e casais. E se você tem curiosidade sobre as mulheres com quem dividi um set, vai encontrá-las em fuckingpornstars.net.
Em resumo
Um primeiro encontro não é uma entrevista de emprego com macarrão. É uma chance de descobrir se vocês gostam da companhia um do outro. Escolha algo curto, ativo e específico. Fácil de estender e fácil de terminar. Preste atenção no conforto dela, brinque um pouco e deixe a experiência fazer parte do trabalho.
Faça isso e você vai ter mais segundos encontros do que qualquer homem que ainda reserva o mesmo restaurante toda sexta-feira.
Perguntas frequentes
Qual é um bom primeiro encontro que não seja jantar? Café e uma caminhada, uma feira, um museu ou galeria, minigolfe, boliche, uma aula de culinária, uma sessão de escalada ou um mirante ao pôr do sol. Qualquer coisa curta, barata e lado a lado funciona melhor que uma refeição longa e formal.
Por que o jantar é um mau primeiro encontro? O jantar nem sempre é ruim, mas é longo, caro e frente a frente, o que cria uma pressão de entrevista. Se não houver química, vocês ficam presos por duas horas. Um programa mais curto e ativo é mais fácil para os dois.
Quanto tempo deve durar um primeiro encontro? Planeje uns 60 a 90 minutos com um jeito fácil de estender. Se estiver indo bem, sugira uma segunda parada. Terminar enquanto os dois ainda querem mais é melhor do que arrastar.
Quem deve planejar o primeiro encontro? Se foi você quem convidou, proponha um programa concreto com dia, hora e lugar, e fique aberto às sugestões dela. Tomar a frente da logística é atraente; insistir na sua ideia, não.
— Maximo Garcia
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